Por um oceano com MAIS futuro

Por um oceano com MAIS futuro

May 2, 2022 -

Anualmente, dão entrada nos oceanos entre seis e dezassete milhões de toneladas de lixo, das quais 60 a 90% são resíduos de plástico muitos deles originados em artes de pesca perdidas ou abandonadas, que continuam a funcionar como armadilhas para os organismos marinhos.

Dada a sua durabilidade e resistência, o resultado prático é a acumulação alarmante deste tipo de resíduos nos oceanos a nível global, com consequências nefastas a vários níveis, nomeadamente:

  1. Emaranhamento de animais marinhos e/ ou ingestão destes resíduos por parte dos mesmos (Gall & Thompson, 2015; Kuhn et al., 2015; Lusher et al., 2018);
  2. Destruição de habitats (Sheavly & Register, 2007);
  3. Facilitação do transporte de espécies invasoras entre habitats (Klessing et al., 2015);
  4. Deposição no fundo, com potenciais impactos nos organismos que, de alguma forma, dependem do bentos para a sua sobrevivência, tanto como habitat como fonte de alimento (Brandon et al., 2019)

Estes efeitos e consequências não são estanques e acabam por refletir-se e por afetar negativamente importantes setores de atividade económica, desde a pesca ao turismo, passando pela aquicultura, recreação e navegação. Urge, portanto, retificar e minimizar este problema de forma eficiente e sustentável. Com este objetivo, existem atualmente duas formas de intervenção:

  1. Preventiva, que consiste em abordagens direcionadas a evitar que mais resíduos entrem nos cursos de água;
  2. Reativa, que consiste em abordagens direcionadas à recolha de poluição marinha e ribeirinha.

Foi neste contexto e, mais concretamente, nesta última forma de intervenção que surgiu o consórcio do Projeto SeaRubbish2Cap financiado pelos EEA Grants Portugal, que reúne a Neutroplast - Pharmaceutical Packaging, o PIEP - Pólo de Inovação em Engenharia de Polímeros -, a BITCLIQ e a JUSTDIVE.

 

 

Acreditamos que a solução mais viável para a remoção de lixo marinho é a sua recolha e posterior reciclagem com recurso a tecnologias de processamento industrial que garantam o seu uso em futuras aplicações de alto valor.

 

 

O projeto SeaRubbish2Cap tem como objetivo a recuperação de lixo plástico recuperado do fundo do oceano e na criação de sistema de economia circular em circuito fechado que permita a reutilização deste desperdício em novos produtos e, por essa via, gerar um impacto ambiental e económico positivo a todos os stakeholders do setor marinho-marítimo.

Este incentivo irá surgir através da criação de um novo mercado onde os agentes locais da pesca podem operar e vender o desperdício plástico marinho à industria ou outras partes interessadas. As atividades de investigação e desenvolvimento irão incidir nos processos para a limpeza e recuperação dos materiais e na sua transformação em materiais com formato comercial e no desenvolvimento de uma aplicação para smartphone que permitirá criar o registo e geolocalização das artes de pescas perdidas.

 

 

O SeaRubbish2Cap irá remover 5 toneladas de lixo plástico da costa de Peniche e demonstrar a transformação em 2,5 toneladas de produtos de valor acrescentado para o setor dos plásticos.

O consórcio, constituído por três empresas nacionais (Neutroplast, JustDive e Bitcliq) e pelo PIEP como representante do sistema científico e tecnológico nacional, irá gerar novo conhecimento em regime de open access por forma a potenciar a disseminação e replicação dos modelos de negócio criados em território nacional e pelos países doadores EEA Grants (Noruega, a Islândia e o Liechtenstein).

Por um oceano com MAIS futuro e porque não existe planeta B, a equipa JUSTDIVE só pode dizer: MÃOS À OBRA!

Bibliografia:

  1. Brandon, J., Jones, W. (2019). Multidecadal increase in plastic particles in coastal ocean sediments, Sci. Adv. 5(9)
  2. Gall, S.C., Thompson, C. (2015). The impact of debris on marine life, Marine Pollution Bulletin, Volume 92, Issues 1–2, 170-179
  3. Kiessling, T.; Gutow, L.; Thiel, M. (2015). Marine litter as habitat and dispersal vector, in: Bergmann, M. et al. Marine anthropogenic litter. pp. 141-181
  4. Kühn, S., Bravo Rebolledo, E.L., van Franeker, J.A. (2015). Deleterious Effects of Litter on Marine Life. In: Bergmann, M., Gutow, L., Klages, M. (eds) Marine Anthropogenic Litter. Springer, Cham.
  5. Lusher, A.L., Hernandez-Millan, G., Berrow, S., Rogan, E., O’Connor, I. (2018) Incidence of marine debris in cetaceans stranded and bycaught in Ireland: Recent findings and a review of historical knowledge Environ Pollution. 232, 467-476
  6. Sheavly, S.B., Register, K.M. (2007). Marine Debris & Plastics: Environmental Concerns, Sources, Impacts and Solutions. J Polym Environ 15, 301–305

Tags: ambiente, conservação, Environment, conservation, mergulho, scuba diving, diving, plástico, resíduos, plastic, reciclagem, recycling, economia circular, peniche, p&d, pesquisa e desenvolvimento, EEA Grants, EEA Grants Portugal

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